Eis a sublime estupidez do mundo; quando nossa fortuna está acabada – muitas vezes pelos excessos de nossos próprios esforços de nossos próprios atos – culpamos o sol, a lua e as estrelas pelos nossos desastres; como se fôssemos canalhas por necessidade, idiotas por influência celeste; escroques, ladrões e traidores por comando do zodíaco; bêbados, mentirosos e adúlteros por força da obediência a determinações dos planetas; como se toda perversidade que há em nós fosse pura instigação divina. É admirável a desculpa do homem devasso – responsabiliza uma estrela por sua devassidão – Rei Lear, W. Shakespeare.
Nesse pequeno trecho é possível fazermos diversas reflexões, porém gostaria de abordar nesta postagem a necessidade de assumirmos nossos erros por sermos imperfeitos e errantes.
Já disse numa das postagens anteriores que eu necessito cometer erros para que eu retorne ao “eixo” novamente, para que eu saia da zona de conforto. Mas no meio que convivo é muito comum encontrar pessoas que não assumem erro de maneira nenhuma. Que é sempre o outro, que é sempre algo intangível ocorrido no momento do erro.
Falhos todos somos, não nascemos preparados para o mundo moderno que vivemos hoje. Acredito que estamos construindo essa preparação à medida que vamos adquirindo informação, experiência e aos poucos nos tornando pessoas mais preparadas para enfrentar a vida. Veja o exemplo de nossos pais, que muitas das vezes nos dizem algo que não acreditamos ou não aceitamos, e no momento seguinte o dito por eles aconteceu. E veja, se não aceitarmos que somos aprendizes nessa vida e que a falha é inerente a todos nós, vamos fechar as portas para possibilidade de sermos sábios a cada dia.

E o desabafo de Edmundo na peça, critica a falta de capacidade de nós, seres pensantes, de atribuirmos nossos erros a nós mesmo, sem culparmos as “estrelas”. Apontando um culpado que não seja o real nos isenta de toda a responsabilidade e nos incentiva a continuar errando.
Outro exemplo, embora possa chatear alguns, é que muitos religiosos acabam atribuindo todo mal causado a alguém ou a si seja culpa de uma divindade maligna que está aí para prejudicar a vida de todos pelo simples fato de querer prejudicar.
Num diálogo corriqueiro:
– Mas Carlos, por que você traiu sua esposa?
– Fui atentado pelo diabo. Logo, não tinha ideia do que estava fazendo.
Quando vejo algo semelhante a esse tipo de resposta, tenho a consciência do quão ridículo soa ao não admitir o erro, quer seja ele por vacilo dos próprios instintos humanos ou por qualquer outro estímulo.
Assuma seus erros de forma racional, e isso te levará a um amadurecimento e aprendizado racional também. Sem depender de qualquer intervenção divina ou astrológica.
Que fique claro, que não se trata de qualquer crítica a religião, mas o comportamento que as pessoas adotam para se esconder atrás dela.
Não atribua abstrato a sua miséria como ser humano.
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