SOBRE A MINHA TRISTE NECESSIDADE DE ERRAR

Os erros são os portais da descoberta. – James, Joyce.

Não é fácil para eu admitir isso e talvez seja necessário um grau de maturidade alto, mas não posso ser hipócrita comigo mesmo. O erro faz parte de minha necessidade como humano para me pôr em alerta, manter o foco nas atividades que realizo dia a dia e tomar impulso para sair de onde estou, pois isso me incomoda.

Ultimamente, tenho cometido poucos erros, às vezes nem erro, e isso não é bom. Não é bom porque não estou realizando nada novo, tudo já me é comum e acabo vivendo de forma automática. Não é bom porque eu tenho evitado errar, logo, abdicando de riscos… O incerto? Nem pensar! Estou construindo, com minhas atitudes, minha própria redoma, dia após dia, colocando um tijolo novo. Sou eu, meu próprio carcereiro.

Mesmo tendo consciência disso, um sentimento de segurança, embora falsa, me faz continuar com esse cárcere. Chego ao absurdo de mensurar as consequências de cada ação minha ou falta dela. E quando é possível mensurar alguma coisa dentro de uma mente tão limitada quando comparada à imensidão do mundo? Não, isso não é possível. Por isso, acabo limitado num mundo ridiculamente pequeno.

É claro que, às vezes, erro por falta de atenção ou excesso de confiança e estresso comigo mesmo. Mas o que poderia ser, numa rotina constante de atividades repetitivas, algo sai do lugar. Não, apesar dos pesares, ainda não sou um autômato – para a infelicidade do mercado.

É agora que faço jus ao título deste post. Uma das poucas coisas que me tiram desse cardume de nado sincronizado são a arte, inspirada por exemplos de grandes homens, porém, o mais eficaz e imediato é o erro. Eu odeio errar e, quando isso acontece, me incomoda profundamente; o sentimento de mudança urge em mim. E logo estou eu tomando atitudes celeradamente, algumas perduram (essas são as valiosas), outras se vão com o tempo, serviram apenas para efeito imediato. E logo tudo volta ao comum e anestésico, cômodo.

Eu preciso errar, às vezes clamo pelo erro.

É dessa forma que aprendi, é isso que sei que verdadeiramente funciona comigo. Triste? Eu acredito que sim; feliz seria não depender de erros para estar sempre incomodado. Mas, quem é assim?

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