O SILÊNCIO É A DERRADEIRA ALEGRIA DOS INFELIZES

Numa dessas passagens em livros mágicos que hoje em dia pouca gente ainda lê ou confundem com livros de bruxos, umu sábio personagem disse:

– Pó, regresso ao pó. A vida está cheia de humilhações e dores – continuou cada vez mais triste. – Todos os fios que a ligam à felicidade se quebram um a um na mão do homem, sobretudo os fios de ouro. Meu caro D’Artagnan – prosseguiu Aramis, dando à voz um leve matiz de amargura -, acredite nisto que digo, oculte bem as suas feridas quando as tiver. O silêncio é a derradeira alegria dos infelizes, evite pôr quem quer que seja na pista dos seus sofrimentos, os curiosos sugam as nossas lágrimas como as moscas o sangue de um gamo ferido.
Os três mosqueteiros – Alexandre Dumas.

Acredito que a inspiração de Dumas ao escrever o início da passagem tenha sido no livro de Eclesiastes Cap. 2, verso 20, onde está escrito:

Tudo e todos se dirigem para o mesmo fim: tudo vem do pó e tudo retorna ao pó.

Esse sábio personagem chamado de Aramis (um dos três mosqueteiros) expõe a nossa fragilidade perante a grandiosidade do mundo por sermos apenas pó, e estar vivo é encarar grandes obstáculos como humilhações e dores. E toda possibilidade de sermos felizes é sensível e deve ser protegida como qualquer objeto precioso que cuidamos para que não se perca ou seja roubada.

Disse  Lao Tse em Tao Te Ching que devemos “ocultar aquilo que excita o desejo dos homens faz com que eles permaneçam sem perturbações” – E quanta discrepância na sociedade massiva hein, logo a ostentação é o objetivo !

Aliás, deixo aqui um breve desabafo:

  • Quem realmente está feliz, é feliz de algum modo não procura expor isso aos quatro cantos, na verdade não há tempo para isso, a felicidade é vivida, demonstrada sem a necessidade de ser dita. Uma palavra trocada, um simples olhar já é o suficiente para notar.

Aramis continua ao falar da necessidade de escondermos nossas aflições das companhias alheias ou de pessoas que triunfam sobre o derrota do próximo. Faça silêncio na presença destes ao falar de sentimentos, não exponha seu momento de infelicidade. – TODOS sem qualquer exceção passamos por momentos ruins enquanto estivermos vivos, afinal somos pó.

As dores de hoje podem deixar de te afligir no futuro, seja por superação, substituir por outras dores, mas a mudança de estado é esperada; disse Heráclito que “nada é, tudo está sendo” – mudança constante. E o silêncio é a fortaleza, a possibilidade de estarmos calados e deixar de expor o mal que nos toca.

E por fim, o personagem faz um analogia com um animal ferido, moscas aparecem para se alimentar do sangue coagulado. Algumas até chegam a botar ovos nessas feridas e causando maior dano ao animal caso os haja o desenvolvimento de larvas e as mesmas comecem a consumi-lo.

Portanto precaução ao expormos nossas alegrias e tristezas por ai, para certas companhias… – reflitam.

Fiquem bem.

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